quarta-feira, 18 de julho de 2012

Série Dr. Martin Fischer - 01: “Os Campos de Concentração no Brasil” – Pedido de ajuda!

Fonte do documento: Museu Antropológico Diretor Pestana - MADP de Ijuí
 Como escreveu o escritor e jornalista Stefen Zweig (http://pt.wikipedia.org/wiki/Stefan_Zweig) ”O Brasil é o país do futuro!”...
Toda uma geração de imigrantes teuto brasileiros acreditaram, neste lema nos anos 30 e inicio dos anos 40. Mas, em 1942, tudo mudou. O Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo - cujos cidadãos passaram a ser considerados inimigos. O governo brasileiro precisava criar então os campos de concentração para se alinhar com as estratégias dos Aliados e dos EUA. Iniciou então  uma das faces tristes que os livros escolares não contam de nossa história. Principalmente imigrantes alemães e japoneses foram levados a estes campos de trabalhos forçados, que não tinham a crueldade dos campos de concentração da Alemanha, mas também deixaram suas marcas. A maioria eram pessoas comuns. Muitos casados com mulheres brasileiras e com filhos nascidos no Brasil. Falar em língua estrangeira ou mesmo cantar “Noite Feliz” em alemão era vistos como uma ameaça. A reclusão nos “campos de concentração” praticamente foi uma pré-condição para o apoio brasileiro aos Aliados. O tratamento dado aos imigrantes foi um dos elementos de negociação no campo da política internacional.

 Foram criados oficialmente 12 Campos de Concentração, mas a história oral conta mais de 30, espalhados por este Brasil:

1. Tomé-Açú (PA) - A 200 km de Belém. Recebeu alemães e japoneses;
2. Chã de Estêvão (PE) - Abrigou empregados alemães da Cia Paulista de Tecidos (hoje conhecida como Casas Pernambucanas);
3. Ilha das Flores (RJ);
4. Pouso Alegre (MG) - O campo de Pouso Alegre reunia presos militares: os 62 marinheiros do navio Anneleise Essberger;.
5. Guaratinguetá e Pindamonhangaba (SP) - Fazendas que pertenciam ao governo e foram adaptadas para receber alemães; 
Um dos alojamentos do antigo campo em Guaratinguetá
 6. Oscar Schneider (SC) - Hospital transformado em colônia penal;
7. Daltro Filho(RS);
8. Presídio de Curitiba(PR);
9. Bauru(SP);
10. Ribeirão Preto(SP);
 11.Trindade(SC);
12. Pirassununga(SP).

Martin Fischer possui em sua coleção (guardada no Museu Antropológico Diretor Pestana – MADP, em Ijuí, RS) uma carta enviada por John Heimmeister (MADP 0.6.4 pasta 05 documento 284) à ele vinda da Colônia Penal Daltro Filho, localizada em Charqueadas, RS, e datada do ano de 1942. 
Fonte da foto: http://fotosantigas.prati.com.br/FotosAntigas/Diversos/Novas201203/Col%C3%B4nia_penal_General_Daltro_Filho_%C3%A0s_margens_do_Rio_Jacu%C3%AD.htm
 A mesma relata que  a cinco meses estava recluso naquela  prisão. Tal pessoa solicita ajuda e roupas de Martin Fischer, tais como: pijamas, meias e outros objetos pessoais. Através deste relato temos uma  testemunha viva da história sobre os campos de Concentração do Brasil (http://segundaguerra.net/no-brasil-tambem-houve-campos-de-concentracao-durante-a-segunda-guerra/). Nos seus escritos nos faz entender muitos fatos/acontecimentos não contados por nossos avôs e bisavôs (e muito menos na imprensa e livros) sobre esta época, ou seja, dos sentimentos e tristezas que endureceram muitos  corações e vidas.
 Tais imigrantes já não pertenciam mais a velha Europa devastada pela guerra, mas de repente eles também eram/foram considerados inimigos  da terra que os acolheu e se tornou seus novos lares...
 No Brasil pouco se ouve falar sobre a resistência ao nazismo feita pelos próprios alemães, aqueles que não apoiavam e não queriam a funesta guerra de Adolf Hitler. Mas ela existiu, e podemos  encontrar a mesma nos textos do jornalista Ernest Feder (http://www.casastefanzweig.org/sec_canto_view.php?id=32 e http://de.wikipedia.org/wiki/Ernst_Feder). O qual após sua incansável luta criou  um dos grandes movimentos de resistência ao nazismo no mundo, reunindo grandes nomes literários e sociais do mundo em 1945.
Enfim, John Heinmeister, através de sua “anônima e singela carta” ao jornalista e pesquisador Martin Fischer, que também era alemão e morava em Ijuí, nos revela uma grande e histórica visão daqueles terríveis anos vividos nos anos 40, não só no Brasil, mas em todo o mundo.  

 Pesquisadora e historiadora Marcia Adriana Krug
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