MAPA VIRTUAL e HISTÓRICO do IJUHY de ANTIGAMENTE

domingo, 26 de dezembro de 2021

Rua Henrique Kopf e depois 7 de Setembro por volta de 1940. Vista no sentido Sul-Norte, com a área Central ao fundo.

 

















Rua Henrique Kopf e depois 7 de Setembro por volta de 1940. Vista no sentido Sul-Norte, com a área Central ao fundo. Em destaque a Igreja da Natividade e mais na frente o então Presídio Municipal, na rua Benjamin Constant, hoje sede da Câmera dos Vereadores de Ijuí...

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Tenista ijuiense Paulo Weckerle faleceu neste domingo, às 12h30min, em Itajaí, no dia 05 de setembro de 2021....

Foto do arquivo da Família.

Os filhos Mário, Marta e Norma Weckerle comunicaram neste domingo(5) com pesar o passamento de seu pai Paulo Weckerle ocorrido às 12h30. Paulo Weckerle, atuou em vários clubes de Tênis em Ijuí. A morte do ex-tenista aos 92 anos que consterna a comunidade desportista de Ijuí, ocorreu em Itajaí-SC e os atos fúnebres foram realizados em Balneário Camboriú.


O JORNALISTA ADEMAR CAMPOS BINDÉ, EM REPORTAGEM ESPECIAL PUBLICADA NA PÁGINA QUE MANTINHA NO JORNAL O REPÓRTER, ENTREVISTOU WECKERLE, EM 2011. MATÉRIA PUBLICADA NO DIA 12 DE MARÇO DE 2011:

UM COLECIONADOR DE TÍTULOS NO TÊNIS


Nesta página de reminiscências vamos destacar, hoje, algumas passagens mais importantes da trajetória vitoriosa de Paulo Weckerle, que, sem favor nenhum, deve ser colocado na galeria dos maiores tenistas de Ijuí. Ele reside já há alguns anos na cidade catarinense de Blumenau e mesmo nos seus 83 anos de idade ainda não deixou de lado a raquete. Atualmente participa apenas esportivamente em duplas nos fins de semana.

Mesmo distante, Paulo Weckerle não esquece Ijuí, sua terra natal, e sempre que pode tem vindo por aqui rever seus amigos. Foi numa dessas ocasiões, há algum tempo atrás, que o encontramos próximo à Praça da República. Já que na rua não era possível lhe entrevistar, aproveitamos para lhe fazer um pedido: nos escreva recordando seus bons tempos de sua vitoriosa carreira no tênis, pois pretendemos rememorá-la nas páginas do jornal “O Repórter”. Anotamos nosso endereço num jornal que ele carregava e nos despedimos.
Claro, que algumas coisas da carreira de Paulo Weckerle nós conhecemos e já tínhamos destacado nos jornais onde atuamos. Aguardamos a sua resposta, chegamos a pensar que ele havia esquecido do nosso pedido. Mas não, então vamos hoje registrar o que ele nos conta e acrescentar alguns dados mais que conseguimos recolher.
Seus pais vieram morar em Ijuí, lá pelo ano de 1922. Pouco tempo depois era fundado o Tênis Clube Ijuhy. Eles começaram a frequentar o clube e costumavam levar junto os filhos Jorge (nascido em 1925) e Paulo (nascido em 1928). Aos poucos, os meninos puderam empunhar as raquetes apoiadas debaixo dos braços. Assim, revela Paulo Weckerle “foi se fixando no pensamento que este esporte lhes pertencia”.
Aos 15 anos, Jorge concluiu os estudos em Porto Alegre e Paulo também concluiu os estudos no IPA, onde praticou seu tênis. A Sogipa convidou Paulo para ser defensor do clube, tornando-se sócio esportivo. Logo recebeu orientação de alguns expoentes do clube, que o fizeram aprimorar os golpes melhores para se projetar adiante. Logo, Paulo começou a alcançar projeção e atingiu a primeira classe, começando a somar vitórias sobre vitórias, títulos sobre títulos e passando a formar um invejável quadro de troféus.
Após, passou a defender a Leopoldina Juvenil e depois ajudou a Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo a conquistar, pela primeira vez, o título de campeã estadual de tênis. Quando se mudou para Santa Cruz do Sul, Paulo Weckerle conquistou muitas vitórias, junto com Bruno Schütz, Edy Schütz, Alfonso Kuhn, Adriano Cezar, Eugênio Hamelschlager e Sebaldo Rosenbach, lembrando que “só fomos trucidados por Cachoeira do Sul, diante dos tenistas Omar Bergmann, Ernesto Petersen e dos irmãos Schöeler, pois vitórias e derrotas são iguais, foram lutas, as lutas são iguais”.
Então, Paulo Weckerle começa a recordar os bons tempos do tênis em Ijuí. “Nos anos de 1936 e 1937, me lembro de que Ijuí possuía bons jogadores de tênis, com Júlio Heller, Guilherme Kleemann, Norberto Hoff, Jorge e Carlos Hocevar, e um pouco mais tarde, Hary Reimann, Claus Socolowski, Bibi Kleemann, Knudsen e outros que não lembro mais”.
Terminados seus estudos em Porto Alegre, os irmãos Jorge e Paulo Weckerle voltaram para Ijuí e continuaram se projetando no tênis. Formando dupla com Erion Heller, Paulo Weckerle brilhou nos campeonatos internacionais da Leopoldona Juvenil, de Porto Alegre. Também Paulo Weckerle e os irmãos Bruno e Heinz Hass destronaram os melhores tenistas de Posadas, na Argentina. Por vários anos, Paulo Weckerle sempre conquistava o primeiro lugar nos confrontos contra aqueles tenistas argentinos, até que o clube de Posadas começou a trazer bons jogadores da capital, Buenos Aires, para poder fazer frente com os tenistas de Ijuí. Mesmo assim, as disputas eram equilibradas, ora uns venciam, ora outros, os prêmios eram divididos.
Nesses confrontos com os argentinos, Paulo Weckerle ainda guarda na memória uma final empolgante que disputou com o tenista argentino Machado, na cidade de Oberá, província de Misiones. “Foi uma partida disputadíssima, de lances extraordinários, onde numa bola flutuando para fora, rebati e não concluí, poderia ter sido a minha vitória, jus, vantagem para Machado, fim, vitória de Machado no terceiro set, por 7 a 5. Porém, a minha grande vitória foi no dia seguinte quando li na manchete do jornal El Território: Enfin Paulo Weckerle caió com honores”. Essa manchete, sem dúvida, era o maior reconhecimento que o grande tenista Paulo Weckerle poderia receber.
Ainda podemos destacar na vitoriosa carreira de Paulo Weckerle, o título que ele ajudou a conquistar para a Tênis Clube de Ijuí, junto com Erion Heller (hoje já falecido), no ano de 1958. Nesse ano, que marcava o 60º aniversário de fundação da Sociedade Ginástica Ijuí, a nossa cidade foi sede das finais do Campeonato Estadual Interclubes de Tênis. Nas disputas finais contra os tenistas do Petrópole Tênis Clube, de Porto Alegre, os dois tenistas venceram todos os confrontos decisivos. Paulo Weckerle venceu Paulo Costa, por 6 a 4 e 6 a 3 e depois a Flávio Lebkuechen, por 6 a 3 e 6 a 2. Erion Heller derrotou Flávio Lebkuechen, por 7 a 5 e 6 a 0 e depois a Paulo Costa, por 6 a 1 e 7 a 5. No jogo de duplas, Paulo Weckerle-Erion Heller venceram Otávio Utinguaçú-Edmundo Giffoni, pela contagem de 6 a 1 e 6 a 1.
No naipe feminino, as tenistas ijuienses Hadda Domingues e Gelcy Kleemann ficaram com o título de vice-campeã do interior. No mesmo ano de 1958, Erion Heller conquistou o título de campeão do interior e Paulo Weckerle ficou como vice-campeão.

 Texto de ADEMAR CAMPOS BINDÉ