terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Centenário Clube Ijuí - ambiente de muitas histórias e vida social da cidade de Ijuí!

Jornalista e historiador Ademar Campos Bindé também já abordou a história do Clube Ijuí em sua coluna semanal no jornal "O Repórter", do dia 05/05/2010.
Texto publicado no "Guia Publicitário e Histórico de Ijuí e Panambi - 1955/56", organizado por Fraiem Cotliarenco Editora, de Porto Alegre, RS.
Aqui Ademar Bindé aborda a questão da preservação do prédio histórico do Clube Ijuí, jornal "Repórter", do dia 07/08/2008.


  Publicado originalmente no Portal Ijuí.com, dia 03 de dezembro de 2010. Disponível em: http://www.ijui.com/noticias/geral/16731-24090
Clube Ijuí no ano de 1934, quando da criação da Comarca de Ijuí, jornal Correio Serrano do dia 09/12/1934.

A mão firme de um fidalgo
Segurou a pena em tinta
E de forma tão distinta
Iniciou uma trajetória...
Mais de cem anos de glória
Nesta terra Guarany...
Imigrantes chegavam aqui,
Construindo uma babel...
Augusto Pestana sobre o papel...
Fundava o CLUBE IJUHY.

Europeus e Brasileiros
Unidos pela cultura...
A força, a fé e a alma pura,
Dos que plantaram intentos,
Semeando aos quatro ventos,
O progresso e a união,
Deram sinais de nação
Quando irmanados olhavam
Tudo aquilo que almejavam,
Nas searas da imigração...

A sociedade crescia
Ao som de charlas e mates...
Assim surgiam embates,
Na busca de um bom espaço...
Forças de mãos e braços,
Construíram três moradas,
A quarta, mais esperada,
Surgiu em meio ao clamor...
Assim nasceu, com amor,
A bela sede rosada!

No então “Rosado da Praça”
Chegavam ilustres visitantes
E o progresso cintilante
Tornava-se uma façanha...
Então chegou Osvaldo Aranha,
Pra servir de testemunha...
E o General Flores da Cunha
Também veio a rigor...
Era o ilustre governador
Que a Ijuhy se dispunha!

E o chão sagrado dos povos,
Crescia ao som da labuta...
E desta terra tão bruta
Brotavam conceitos novos...
Projetos mais audaciosos,
Marcavam uma realidade:
De vila Ijuhy, pra cidade -
Aos poucos se transformava
E o Clube se eternizava
Pra toda a posteridade...

Ao som das modas antigas
Os bailes eram animados...
Os casais, enamorados...
As donzelas mais bonitas...
Vestidos de Prenda e Chita...
Muita noiva apaixonada...
Muita noite acalentada,
Aquecida em algum olhar...
E algum enlace a começar
Nas formosas madrugadas...
 
O piano em mãos de mestres
Embala coreografias...
Rock, tangos e poesias,
Nas noites de integração...
Tinha Festa de São João,
Infantis e Viajantes...
As roupas eram radiantes,
Conforme fosse a ocasião...
Não importava a estação,
As noites eram galantes...

O Clube sempre altivo
Era cenário de festas...
Formaturas e serestas,
Noivados e casamentos,
Variados divertimentos,
Que aproximaram famílias...
Apresentação de belas filhas
Nos bailes de debutantes...
E as fundações importantes:
Cotrijuí e Farroupilha...

E pra quem não tinha sede
O Clube Ijuhy emprestava
E na sede se realizava
Fandangos, ceias, reuniões...
Assim cultuaram tradições
Gauchescas e estrangeiras
Rompendo amargas fronteiras
E preconceitos raciais...
Aqui todos são iguais
Pela Pátria Brasileira!
 
E o carnaval?... Que alegria...
Pulando noites inteiras...
E as matinês domingueiras,
Que acabavam no outro dia...
Tinha bloco a fantasia,
Até índio no salão...
Tinha tanta animação
Entre civis e colonos...
Restou somente o Rei Momo
Em alguma recordação...

Hoje o salão lembra as senhoras
Preparando algum evento
E os porões, Tigres sedentos,
Lutando contra os Leões...
Nas outras salas, mais campeões,
Xadrez, sinuca e carteado...
Fim de semana encantado...
A hora quem sabe parasse...
Ah, se este tempo voltasse,
Eu lá estaria sentado!
...............................

Mas o tempo um dia passa
E o que era alegre, triste fica...
Então a autoridade complica
Com a bela sede do Clube
E numa espantosa atitude
Desapropria esta Morada...
Uma vida foi ceifada
Pela caneta insolente,
Deixando triste uma gente
Ao ver a história atacada!
 
Dos quatro cantos de Ijuí,
Bradaram os filhos do Clube
E nas mais nobres atitudes,
Anulam a desapropriação...
E na seguinte eleição,
Por ironia do destino
Ou pelas mãos do Divino,
Um novo chefe empossado,
Devolveu este legado
Às mãos de Thomaz Aquino!

Assim renascem os grupos,
As festas pelo salão...
O Rosado, qual um Leão,
Com sua juba mais bonita,
Recebe ilustres visitas,
Relembrando aqueles tempos...
Um século de acontecimentos
Não pode se jogar fora,
Por quem não respeita a história,
Nem tampouco os sentimentos...

E se hoje, ao som do piano,
As tardes são encantadas
É porque a página está virada,
Mas ainda está no livro...
O Clube Ijuí está vivo,
Qual a sua fundação...
Muitos aqui já não estão,
Mas permanecem entre as glórias
Pelos confins das memórias
Que habitam o coração!
 
Aos homens de “roupas pretas”
E as “donzelas de branquinho”
Fica estampado o carinho,
Por todas as etnias,
Aquelas, que com alegria
Tomaram o Brasil pra si
E construíram bem aqui,
Sob este asfalto de agora,
Os sonhos que foram outrora,
A construção de Ijuhy!

Resta um grito de alerta
Às futuras gerações...
Aos herdeiros dos varões,
Que sustentaram um ideal,
Faço um pedido informal
Pela seqüência do Clube...
Precisamos de virtudes
Em meio a imoralidade...
Precisamos de verdades,
De jovens com atitudes!

Avante altivo Clube!
Teu brado não morre mais,
Pois a força dos ancestrais
Animam novas gerações!
Teu estandarte, nos corações,
Está firme e dali não sai!
Que o teu exemplo de pai,
Seja sempre nosso esteio,
Pois quem não sabe de onde veio,
Tampouco sabe aonde vai!

 Chico Roloff
(Blogueiro do Portal Ijuí.Com - http://www.ijui.com/blog/blog-do-chico
 Ijuí, RS, maio de 2010, pelos 105 anos do Clube Ijuí
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