terça-feira, 26 de abril de 2011

O ataque da "Coluna Prestes" a cidade Ijuí - na ótica do historiador Martin Fischer - conclusão da série.

No extenso artigo publicado em homenagem a cidade de Ijuí, no dia 19 de outubro de 1970, no jornal Correio Serrano, sob o título “Acontecimentos políticos que influenciaram no desenvolvimento de Ijuí”, entre outros fatos, o grande historiador de Ijuí Martin Fischer fez sua análise e considerações sobre o ataque e tentativa de tomada da cidade de Ijuí. Reproduzimos aqui apenas o trecho onde ele escreve especificamente sobre o acontecimento. O texto em sua forma integral já reproduzimos em nosso blog no dia 11 de janeiro de 2011 (http://ijuisuahistoriaesuagente.blogspot.com/2011/01/acontecimentos-politicos-que.html)

Reprodução parcial do artigo "Acontecimentos políticos que influenciaram o desenvolvimento de Ijuí", de autoria de Martin Fischer, publicado no jornal Correio Serrano do dia 19/10/1970.
O que foi e qual era a proposta/
objetivos da "Coluna Prestes"?



Segundo o professor ijuiense José Augusto Fiorin Fiorin, graduado em História, em texto publicado em seu blog: http://blog.educacional.com.br/professorfiorin/2008/07/13/coluna-prestes/
"...Foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.
O Tenentismo - O movimento tenentista não é facilmente definível. Possui um programa extremamente difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas. Sua insatisfação com a República Velha leva-os a requerem voto secreto e um maior centralismo político. Ademais, exigem ensino público para facilitar o acesso às informações por parte da população carente. São idealistas, porém elitistas. Golpistas, mas reformistas. Prova inconteste da falta de clareza dos ideais tenentistas é que a inúmeras tendências aderiram os líderes do movimento. Alguns tornaram-se comunistas, outros nazi-fascistas, outros ainda conservadores. Cumpre realçar que a maior parte do movimento era composto por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de “Soldado Cidadão”.
Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa. No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida (venceu todas as batalhas), a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia. Acredita-se que até o cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes.
A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.
Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes".

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