quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Resgatando a história dos Mühlbach através do Google e da Internet

''Para ilustrar, deixo uma foto do que foi a primeira morada dos Mühlbach no Brasil, às margens do rio Iracema, onde aparecem minha avó Luise (pés descalços), meu tio Roberto e meu pai, o garoto com o chapéu de palha'', diz o professor Paulo Mühlbach. A primeira morada dos Mühlbach ficava no atual município de Riqueza, no oeste catarinense. Deste local vieram para Ijuí, em torno de 1940, além dos Mühlbach, as famílias Hass, Brandt, Nachtigall, Eberle e outras. Foto: Arquivo Pessoal do Prof. Paulo Mühlbach.
Texto de Paulo Mühlbach       


Artigo  publicado originalmente no Portal Ijuí.Com, no dia 05 de agosto de 2012. Disponível em: http://www.ijui.com/especiais/artigos/37991-resgatando-a-historia-familiar-dos-muehlbach-atraves-do-google-e-da-internet-por-paulo-muehlbach
  
Partindo de uma informação familiar, coloquei no Google os termos “Bremen Sierra Ventana Passagierliste 1930” e cheguei a um portal do arquivo da cidade de Bremen, Alemanha, através do qual se obtém as listas de passageiros lá embarcados durante várias décadas, para as mais diversas regiões do mundo.
Assim, descobri que no dia 11 de Agosto de 1930 partia de Bremen, com destino ao Rio de Janeiro, o navio “Sierra Ventana”, com 153 passageiros, de origem alemã, que apesar de nascidos na extinta União Soviética eram classificados como “apátridas”, sem nacionalidade, já que eram fugitivos do sanguinário regime de Stalin.
Todos eles, após a fuga em dezembro de 1929, tinham sido abrigados provisoriamente num campo de refugiados, em Moelln, na Alemanha e buscavam emigrar para algum país livre, que lhes desse abrigo e uma oportunidade para reconstruir suas vidas.
Entre essas cerca de 40 famílias, que constituíram uma das várias levas de teuto-russos que colonizaram a região hoje compreendida pelo município de Riqueza, SC, figuravam os Mühlbach, meus avós paternos Robert e Luise, com seus seis filhos, entre eles o meu pai, Oskar, à época da chegada ao Brasil, com 11 anos.
As condições de vida desses adquirentes de pequenas colônias da Companhia Territorial Sul Brasil eram precaríssimas.
Não havia médico, hospital, escola, igreja, etc., tudo haveria de brotar penosamente a partir da derrubada da mata existente e do cultivo da terra virgem do Oeste Catarinense.
Para ilustrar, publico acima uma foto do que foi a primeira morada dos Mühlbach no Brasil, às margens do rio Iracema, onde aparecem minha avó Luise (pés descalços), meu tio Roberto e meu pai, o garoto com o chapéu de palha.
Muitas dessas famílias teuto-russas, passados alguns anos de muita luta pela sobrevivência, deslocaram-se para outras regiões, entre elas Ijuí, onde se radicaram, no caso dos meus familiares, nos anos 40, e prosperaram juntamente com as famílias Hass, Brandt, Nachtigall, Eberle e outras.
A história desse pessoal teuto-russo ainda está sendo contada.
Os livros “Escapando do ‘Paraíso’ Vermelho”, de Erica M. Neumann, e “Iracema - Riqueza Fragmentos de uma História” de Silvani M. Di Domênico, resgatam aspectos muito interessantes desta verdadeira saga.
Atualmente, meus familiares não nascidos no Brasil,  são todos falecidos e a gente agora lamenta não tê-los inquirido mais sobre suas vivências daquelas épocas.
Tenho hoje muito interesse de conhecer mais sobre a vida deles na terra de origem, a Criméia, uma península do Mar Negro, hoje pertencente à Ucrânia, onde cultivavam trigo, o que venho tentando resgatar através da Internet.
Assim, numa dessas buscas pelo Google, inseri as palavras Kambar (vilarejo de origem dos Mühlbach) e Crimea (Criméia, em inglês).
O Google expeliu 2.960.000 resultados em fração de segundo, e, para minha surpresa, no terceiro resultado saltou-me aos olhos a palavra Muehlbach, relativo à pessoa de uma certa Wilhelmina Riedel, nascida Mühlbach.
A partir daí, de “link” em “link”, descobri que essa senhora era uma das muitas irmãs do meu bisavô Johann Ludwig, e que ela havia emigrado já em 1914 para os Estados Unidos, e tivera, por sua vez, 12 filhos, falecendo em 1924.
Responsável pela relação entre as palavras Kambar e Mühlbach, que apareceram no Google, foram as pesquisas, também pela Internet, de uma antes desconhecida prima minha em terceiro grau, que mora na Dakota do Sul, e cujo passatempo predileto é buscar ancestrais e cultivar uma extensa árvore genealógica.
Antes dessa descoberta não imaginava que tivesse algum parente nos “States”, nem sabia que cerca de 200 mil famílias de teuto-russos ocuparam as terras das planícies dos estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, gerando os trigais que hoje abastecem uma considerável parte da população do planeta.
A universidade da Dakota do Norte mantém uma biblioteca especializada no resgate da história dessa colonização, bem como seu portal dispõe de muita informação a respeito.
Para encurtar a história: a prima americana enviou-me, recentemente, os dados que vem compilando, e, para minha surpresa, descobri que tenho uns 90 primos em terceiro grau nos EUA, quando, até uns meses atrás, tal fato nunca me passaria pela cabeça.
São coisas boas da vida moderna, saber navegar pela Internet.

Se algum familiar ou interessado quiser se comunicar com o professor  Paulo Mühlbach, seu e-mail é: 00004027@ufrgs.br
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