sábado, 29 de janeiro de 2011

Estações ferroviárias de Ijuí - parte II

A Estação Ferroviária  de Ijuí por volta do ano 2000. Foto do livro Patrimônio Ferroviário do Rio Grande do Sul, IPHAE, p. 236
Ainda dentro do contexto da construção e funcionamento da Estação Ferroviária de Ijuí encontramos uma ampla e excelente pesquisa realizada pelo sr. Ralph Mennucci Giesbrect, residente em Santa de Parnaíba, SP, publicada em seu blog denominado “Estações Ferroviárias do Brasil”. Disponível em: http://www.estacoesferroviarias.com.br/rs_marcelino-stamaria/ijui.htm>. Reproduzimos também algumas fotos que encontramos no referido site.
A estação em 1996 com o vagão à frente. Foto de Alfredo Rodrigues
 Quem tem interesse e gosta deste assunto esse site é certamente uma referência especial na área. Trás valiosas contribuições de centenas de estações ferroviárias existentes no Brasil. Inclusive no início do blog tem uma ferramenta na forma do “ABC” que ajuda o leitor/pesquisador achar a cidade/estação que lhe interessa.

Sobre a estação ferroviária de Ijuí ele trás as seguintes informações, entre outras:

HISTORICO DA LINHA: O ramal de Santo Ângelo foi construído pelo Batalhão Ferroviário, e, embora aprovado desde 1895, somente em 1911 foi entregue seu primeiro trecho ligando Cruz Alta, na linha Marcelino Ramos-Santa Maria a Ijuí.
Em 1915 chegou a Catuípe, depois a Santo Ângelo (1921), a Giruá (1928) e somente em 1940 atingiu sua extensão máxima, em Santa Rosa. 
Mapa da linha - ano de 1940
Era chamado de "Ramal de Ouro" por causa da grande quantidade de mercadorias que transportava. Trens de passageiros trafegaram pelo ramal certamente até os anos 1980, e o ramal hoje (2004) está concessionado à América Latina Logística - ALL.  

A ESTAÇÃO: "A colônia de Ijuí foi formada exclusivamente pelo território do mais tarde 5º Distrito de Cruz Alta e fundada oficialmente em 30 de maio de 1890 pelo engenheiro José Manoel da Siqueira Couto. Recebeu, em 19 de outubro do mesmo ano, a primeira leva de imigrantes europeus, encaminhados pelo Serviço de Terras e Colonização. É necessário considerar que muitos dos primeiros imigrantes não eram agricultores, o que dificultava a adaptação dos mesmos: 'em grande parte dos poloneses, os teuto-russos, os austríacos, os alemães e os suecos eram industriários que não possuíam a mínima idéia das lides agrícolas' (...) O despovoamento e a discórdia começaram a afetar a colônia recém-criada 'pois surgiu nesse meio tempo um novo flagelo, pior que todos os outros: a discórdia. Discórdia aberta, provocada em parte pela mais triste situação econômica que criava nervosismo e desarmonia em toda a colônia'. As lideranças políticas do município de Ijuí, mesmo sendo republicanas, procuraram não se envolver diretamente na Revolução, mesmo assim, pendengas e rixas entre chimangos e maragatos foram constantes. 
Estação de Ijuí, em 1934, com o trem de passageiros e à frente, carros de aluguel. Foto cedida por Wanderley Duck
Estudos demonstram que, por volta de 1909, estas divergências se acentuaram fazendo com que Augusto Pestana, líder político da colônia, convocasse os lados envolvidos para uma reunião, que se realizou à sombra de duas frondosas figueiras que existiam no alto da Coxilha Sudeste da Vila Ijuhy. Nesta ocasião, Pestana conclamou a todos para a união, para o desenvolvimento e progresso da região. Em 1917, o intendente Antônio Soares de Barros, recordando da reunião realizada no alto da coxilha, batizou o lugar com o nome de 'Alto da União" (http://br.monografias.com /trabalhos915/capital-social-padroes).
A estação ferroviária de Ijuí somente foi inaugurada em 1911. Até pelo menos 1981 ainda são reportados trens de passageiros até a estação. 
Festa da inauguração da Estação Ferroviária de Ijuí, em 1911. Reprodução de foto que se encontra nos arquivos do Museu Antropológico Diretor Pestana

 "Nessa linha para Santo Angelo, no ramal Cruz Alta/Santa Rosa, os trens estão indo somente até Ijuí, não chegando mais a Santo Angelo. Mas os trilhos ainda permanecem. Estive há uns 40 dias em Giruá, entre S. Angelo e Sta. Rosa, e passei sobre a linha, mais ou menos limpa, mas bastante enferrujada. Nessa região de alta produção agrícola, a ALL está trabalhando na base das parcerias. Em Julio  de Castilhos, Tupanciretã, Cruz Alta, foram construidos pelos "parceiros", terminais, com linhas e ramais próprios, depósitos, silos, equipamento para carga, etc...etc.... Quanto ao problema do trigo, eu não sei como está. E talvez, o trecho que vi sem trilhos, possa estar em obras, melhorias, etc.... e não erradicado definitivamente. O trigo é algo difícil, um ano dá, depois passa 3 ou 4 sem dar nada... é mais barato comprar da Argentina do que produzir aqui. Para Ijui, seguem principalmente combustíveis. Há um terminal de razoavel tamanho por lá. Se conseguir, proxima vez fotografarei. Os vagões sobem por Santa Maria", não vêm de Passo Fundo e da Ferrovia do Trigo, atualmente. (Milton Amaral, 03/2008).
(Fontes: Alfredo Rodrigues; Wanderley Duck; Milton Amaral; http://br.monografias.com; IPHAE: Patrimônio Ferroviário do Rio Grande do Sul, 2002; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1940-1981; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)

ESTAÇÃO DO ALTO DA UNIÃO: 
Na imagem acima tirada do Google Maps, na qual aparece o Distrito de Alto da União. Mesmo que Ralph nunca tenha estado lá ele observou em seus estudos a linha de trem cruzando o Distrito no centro da fotografia. Por hora não temos nenhuma imagem da Estação que lá existia, apesar de existir documentos que provam  e falam de sua existência. Caso algum dos amigos visitantes do Blog tiverem alguma informação ou imagem dessa "velha"estação favor nos mandar.

Imagem encontrada na internet (http://www.flickr.com/photos/lujoao/) e que mostra uma passagem de rua/estrada sobre os trilhos no Distrito de Alto da União
A estação de Alto da União, no entanto, não tem data de inauguração conhecida por mim. Já existia no ano de 1932, de acordo com o Guia Levi.
A Fazenda São José está localizada a 15 km do centro da cidade e tem acesso pela RS-342, no Distrito de Alto da União. Oferece 290 hectares de área verde junto à natureza num local com mata nativa. Atualmente a maior parte de suas terras são ocupadas com algumas culturas como soja e trigo, com apenas uma parte restante utilizada para o gado. Há algum tempo atrás, servia como Hotel-fazenda, disponibilizando muitas atividades diferentes. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Iju%C3%AD>. Fonte da foto: institutocidadeviva.org.br
A fazenda mais conhecida do Distrito de Alto da União é a Fazenda São José, possivelmente uma das razões para a existência da antiga estação.
Nada encontrei se reportantdo à estação, com exceção de sua presença como ponto de parada em guias ferroviários. Se não era uma parada simples, tipo estribo, teria de ter um prédio, o quel, se existiu, parece não mais estar de pé, visto a falta de qualquer referência a ele em notícias recentes do bairro.

ESTAÇÃO MAQUINISTA SCALABRINI - ou DO ITAÍ?:
Inicialmente era chamada de “Quilômetro 35” e depois “Desvio Scarpellini”. Não consegui a data de inauguração da estação cujo nome definitivo foi “Maquinista Scalabrini”, homenagem a José Scalabrini (1882-1918), morto no desastre de um trem na linha Cacequi-Uruguaiana. Não era ele, também, da região de Ijuí? Em 1938 a estação já aparece no Guia Levi; em 1936, ainda não. Era uma PE (parada), de acordo com o Guia Geral de 1960. Não tenho nenhuma notícia de sua situação atual.
(Fontes: Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1940-1981; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht). 

ESTAÇÃO DO ITAÍ:
Ponte de Ferro no Distrito do Itaí sobre o rio Ijuí. Foto disponível no site do jornal HoraH: <http://www.horahijui.com.br/imagens_galeria.html).
          O pesquisador e historiador Ralph Mennucci Giesbrecht não trás nenhuma informação sobre a Estação existente no Distrito do Itaí. Mas, o importante é que ele cita sua existência. O que encontramos em nossa pesquisa na internet, no momento, foram duas imagens da histórica "ponte de ferro" ainda existente sobre o rio Ijuí. 
Outro visual da Ponte de Ferro no Itaí sobre o rio Ijuí. Foto do Jornal HoraH disponível em: http://www.horahijui.com.br/banco_imagens/ponte_de_ferro
       Ela continua em plena atividade, pois sobre ela passam muitos vagões e locomotivas com cargas principalmente de combustível e cereais. As fotos que publicamos são de autoria do Jornal HoraH de Ijuí e estão disponível em seu site: http://www.horahijui.com.br/imagens_galeria.html
Também encontramos na interner (http://www.flickr.com/photos/lujoao/) essa imagem onde aparece uma moça andando sobre os trilhos existente no Itaí
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