domingo, 30 de janeiro de 2011

Casa onde morava Francisco Berenhaüser - Primeiro presidente do Conselho Municipal de Ijuí - (Câmara de Vereadores) - em 1912


FRANCISCO BERENHAÜSER > Era natural de Ehrenbretstein, localidade situada junto ao rio Reno, na Alemanha, onde nasceu no dia 7 de agosto de 1842. Aos 20 anos migrou para o Brasil, indo residir inicialmente no estado de Santa Catarina.
Residiu ainda em Montevidéu e na cidade de Carmelo, situada ao noroeste de Colônia do Sacramento, ambas localizadas no Uruguai. Voltou ao Brasil, residindo inicialmente em São Gabriel e, posteriormente, em Cruz Alta, onde exerceu sua primitiva profissão de alfaiate. Ao mesmo tempo abriu uma casa comercial e ao longo dos anos agregou atividades com uma cervejaria, uma olaria e uma transportadora, que utilizava carretas para o transporte de mercadorias entre Cruz Alta e Santa Maria.
O espírito empreendedor fez com que vislumbrasse novas oportunidades na recém fundada “Colônia de Ijuhy”, em 1890, onde instalou uma filial de sua casa comercial, que funcionou por longos anos na rua Benjamin Constant, próximo ao INSS, ao lado do edifício Novo Hamburgo. Dois anos depois decidiu transferir a matriz da empresa (que estava localizada em Cruz Alta) para a nova localidade de Ijuí.
Notícia publicada pelo jornal “Die Serra-Post” de 7 de setembro de 1917, que relatava seu falecimento, destaca que Francisco Berenhäuser renunciou ao cargo de ser o primeiro presidente do Conselho Municipal de Ijuí ao final do primeiro mandato, em razão de sua avançada idade. (Lembrando ainda que tal cargo era exercido de forma voluntária). Destaca-se também que a obra que o perpetuou entre comunidade ijuiense foi a implantação da praça central, hoje conhecida como Praça da República. 
Reprodução da foto da Coleção Família Beck, que faz parte do acervo do MADP. Ela mostra a Praça da república em primeiro plano, com os plátanos,  plantados por Francisco Berenhaüser, em crescimento. Da esquerda para a direita: Na esquina da Praça o prédio do jornal Correio Serrano, o Cinema Serrano, a Igreja da Natividade com a Casa Paroquial (onde mais tarde foi construído o "Salão do São Luiz" e que também não existe mais). Ao fundo em direção onde se encontra o Hotel Vera Cruz e a rua Ernesto Alves mais algumas casas.
Em 1890, quando se iniciou o projeto da criação da “Colônia de Ijuhy”o engenheiro José Manoel da Siqueira Couto imediatamente escolheu e demarcou a atual área da Praça da República, coração do município de Ijuí. Entretanto, a área somente deixou de ser mato nativo/fechado após a emancipação da Colônia de Ijuí, em 1912. O novo município de Ijuí deixava de ser o 5º Distrito de Cruz Alta e passava a se estruturar administrativamente, politicamente e paisagisticamente. 
Como intendente do município estava Antônio Soares de Barros – o Cel. Dico, e na presidência do Conselho Municipal (Câmara de Vereadores) Francisco Berenhaüser. Foi ele quem mandou lavrar a terra, arrancar os tocos das árvores, abrir caminhos e plantar mudas de árvores, especialmente cinamomos e plátanos, e implantar jardins de flores. Essa primeira etapa de obras de construção da Praça da República foi concluída no ano de 1913.
Outro ângulo da Praça da República a partir da lente do fotográfo Alfredo Beck. Esta foto que também faz parte do acervo do MADP, mostra os plátanos já crescidos cobrindo parcialmente a visão da Igreja da Natividade. Em 1982, registramos no "Guia Biográfico das Ruas de Ijuí", de que um desses plátanos ainda existia entre as arquibancadas do Anfiteatro e os abrigos de táxi, próximo a entrada para a pracinha de crianças. Atualmente, não sabemos se essa árvore ainda existe.
 A notícia publicada no jornal “Die Serra Post” dizia que “...nossa praça não encontra similar em toda a Serra e mesmo nas localidades mais antigas não se encontra semelhante parque”. E acrescenta: “Vigiava a Praça com tocante dedicação e já ao romper da aurora sempre era visto lá. Nada irritava tanto o idoso cidadão, do que constatar que mãos insensíveis e brutais haviam causado algum dano às mudas plantadas”.
Uma imagem da beleza atual da Praça da República de Ijuí, sempre muito bem cuidada pelos administradores do município - um verdadeiro cartão postal, com muita sombra, bancos e gente bonita circulando.
 Por volta de 1910, Francisco Berenhäuser e sua família fixaram residência na rua do Comércio, ao lado do Cinema América. Ali construíram um bonito prédio de alvenaria existente até os dias de hoje, e que posteriormente foi residência do contabilista e Agente da Varig sr.  Wandoaldo Vieira Kopf, descendente direto de Henrique Kopf, primeiro comerciante da Colônia de Ijuhy.

Fontes:
- ÁVILA, Luis Carlos. Guia Biográfico das Ruas de Ijuí, 1982.
- BINDÉ, Ademar Campos. A Praça da República de Antigamente. Artigo publicado no jornal “O Repórter”, edição do dia 07/07/2010, p. 11.
- BINDÉ, Ademar Campos; BINDÉ, Carlos José Rupp. O Poder Legislativo em Ijuí. Disponível em: < http://www.camaraijui.com.br/historico_camara.pdf> .
- Jornal Correio Serrano – Edição do dia 19/10/1986.
- Fotos: Reprodução do acervo do Museu Antropológico Diretor Pestana de Ijuí, publicadas no Jornal “O Repórter”, op.cit. E de autoria própria.
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