sábado, 25 de dezembro de 2010

Associação Tradicionalista Querência Gaúcha

 

Fonte:   Blog da Marli M. Siekierski
Publicado em 24/09/2012. Disponível em: http://www.ijui.com/blog-da-marli-m-siekierski//39924-folclore-etnia-associacao-tradicionalista-querencia-gaucha.html

“Gaúcho eu sou.
Nasci feliz.
Nesta terra formosa onde estou
Sob o céu deste lindo país.
Vim lá de fora...”

(Trecho da Canção do Gaúcho de José Claudio Machado)

O amor pelas tradições do Rio Grande do Sul é muito forte. Quem nasceu aqui ou quem veio de outros países forma esta imensa corrente de amor pela cultura gaúcha.
Podemos ter ascendência indígena, alemã, africana, árabe, austríaca, espanhola, leta, lituana, italiana, portuguesa, polonesa, sueca, russa, japonesa, argentina, uruguaia, paraguaia ou outra, das tantas que constituem a população do Rio Grande do Sul, não importa.
O que vale é o respeito e a valorização de cada ser como pessoa, sua origem, laços familiares e o sentimento cultivado tanto pelos nativos ou que passou a cultivar pela terra que acolheu os povos que aqui chegaram, ou seja, o querido Torrão Gaúcho.
Os versos rimados, a música, a dança acompanhada do chimarrão gostoso cercado de símbolos e elementos enriquecedores desta cultura são cultuados nos galpões e querências do interior e da cidade.
Ijuí, município situado na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul é o berço do tradicionalismo gaúcho, pois em 1943, um grupo de pessoas amante dessas tradições, fundou o primeiro Centro de Tradições Gaúchas do Estado, o CTG Farroupilha, uma das onze entidades que congregam a Associação Tradicionalista Querência Gaúcha, a qual integra a UETI, União das Etnias de Ijuí.
E para conhecer um pouco da história e os elementos folclóricos ligados à tradição gaúcha que estarão sendo mostrados no desfile étnico no próximo dia 30 de setembro, apresentamos a pesquisa e organização de Vera Lúcia Klein Rodrigues, Diretora Cultural da Querência Gaúcha.

ASSOCIAÇÃO TRADICIONALISTA QUERÊNCIA GAÚCHA

Primeiramente denominada “Entidade Tradicionalista Querência Gaúcha”, fundada em 13 de março de 1990, pelo então Patrão: Major Maximiliano Bogo e Patrão de honra: Aldo Patrocínio de Azambuja.
A partir de 16 de dezembro de 2001, passa a ter a denominação atual: “Associação Tradicionalista Querência Gaúcha”.
Sua sede é o galpão crioulo, localizado no Parque Regional de Feiras e Exposições Wanderley Agostinho Burmann, BR 285, Ijuí RS.
Tem por objetivo a reunião das entidades tradicionalistas de Ijuí, legalmente constituídas e associadas.
O desenvolvimento de atividades de cunho artístico-cultural, social, esportivo e campeiro adstringindo-se, especialmente, ao Folclore e à Tradição Gaúcha, em suas variadas, puras e autênticas manifestações.
 Colaborando com os poderes públicos, organismos estatais e entidades privadas, em atos cívico-patrióticos e outras iniciativas que exaltem e preservem o patrimônio artístico e cultural do Rio Grande do Sul. Movimento Tradicionalista Gaúcho, integrado às onze Etnias, à qual, desenvolve a prática cultural durante a EXPOIJUI-FENADI, além de oferecer a culinária gaúcha em sua casa.
A Associação das Entidades Tradicionalistas de Ijuí rege-se sob a égide da Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho, aprovado no VIII Congresso Tradicionalista de 1961, em Taquara, RS.

Compõe-se, atualmente, das seguintes Entidades:

- Centro de Tradições Gaúchas Clube Farroupilha,
- Centro de Tradições Gaúchas Laureano Medeiros,
- Centro de Cultura Nativa Piazito Carreteiro,
- Centro de Tradições Gaúchas Avô Maragato,
- Grupo de Folclore Fogo de Chão,
- Grupo de Folclore Chaleira Preta,
- Grupo de Arte Nativa Cabo Toco,
- Grupo de Folclore Chão Batido,
- Centro de Tradições Gaúchas Querência Xucra,
- CTG Aurora Pampeana
- CTG Velho Vargas.

A Patronagem atual está assim constituída: 2012 /2013

Patrão : Diomar Luis Kramer
1º Capataz: Rodrigo Darós
2º Capataz: Loivo dos Santos
Capataz Geral: João da Silva
1º Sota-capataz: Viviane da Silva
2º Sota-capataz: Vilmar Pereira
1º Agregado das Pilchas: Lairton R.F. de Souza
2º Agregado das Pilchas: Orione  Nunes Rodrigues
1º Agregado Campeiro: Luis Cavinato
2º Agregado Campeiro: Altemir Thomé
3º Agregado Campeiro: Marcelo Dezordi
1º Diretor Cultural: Vera Klein Rodrigues
2º Diretor Cultural: Susana dos Santos Kramer
1º Diretor Artistico: Mara Oliveira
2º Diretor Artistico: Clair Rosane
3º Diretor Artistico: Maria Nicoleti

Conselho Superior: 1º Luis Martins, 2º Nilva Brum Oliveira e 3º Ademar Mariano Oliveira.

Para este desfile os gaúchos apresentam:

Em primeiro plano os Símbolos Oficiais:

O Hino, a Bandeira e o Brasão de Armas.

Bandeira: A bandeira gaúcha, com o formato que tem hoje, apareceu durante a campanha republicana no Brasil, ocorrida na segunda metade do século XIX, porém tem sua origem na época da Revolução Farroupilha, quando os farrapos utilizavam como bandeira um pavilhão onde figuravam as cores amarelo e verde (da bandeira do Brasil), separados pela cor vermelha, maragato, significando o desejo de república.

Brasão de Armas: O Brasão foi adotado pelo mesmo decreto que instituiu o Hino e a Bandeira do Estado. Acredita-se que foi desenhado originalmente pelo padre Hidelbrando e em arte final pelo Major Bernardo Pires, sendo muito semelhante ao usado na época dos farrapos. O brasão é o mesmo que aparece no centro da bandeira estadual.

Sob o brasão, Lê-se o lema "Liberdade, Igualdade, Humanidade". Lema esse que tem origem  na Revolução Francesa. No centro está um barrete frígio, um símbolo republicano desde a queda da Bastilha.

O brasão rio-grandense é o mesmo da época dos farrapos com algumas pequenas modificações. Por isso possui a inscrição "República Rio-Grandense", junto com a data do início da Revolução Farroupilha, 20 de setembro de 1835, data amplamente comemorada no estado.

HINO: O Hino Rio-Grandense tem letra de Francisco Pinto da Fontoura, música de Comendador Maestro Joaquim José Mendanha e harmonização de Antônio Corte Real.

Em seguida, outros símbolos do nosso Estado, estabelecidos por leis:

ÁRVORE SIMBOLO: “ERVA MATE”

A importância do mate na formação do Gaúcho foi além do aspecto econômico, pelo seu uso generalizado tornou-se tradicional.
O uso de erva-mate remonta aos índios guaranis que habitavam este território.     Segundo várias fontes históricas, inicialmente o mate era usado somente pelo feiticeiro ou pajé que recebia inspiração e proteção, atribuindo seu uso a Tupã (Deus do Trovão) que transmitia suas virtudes através dela.
O mate logo passou dos índios para os conquistadores, e daí para os mestiços, crioulos, negros, açorianos e colônias de imigrantes, atravessando o tempo como algo valiosíssimo, conservando suas características e confirmando a tradição popular até nossos dias.

PÁSSARO SIMBOLO:  “O QUERO-QUERO”

Ave tradicional dos campos gaúchos, com o chamativo de preto,    branco e cinzento na plumagem, o penacho na cabeça com cauda branca e os olhos vermelhos, é facilmente encontrado em todas as estações do ano.
Chamado de “Sentinela dos Pampas” está sempre em alerta, noite e dia, dando sinais à grande distância de quem se aproxima. Vê-lo cruzando no céu ou ouvi-lo cantando ao longe é como receber boas-vindas por estar no RS.

* FLOR SIMBOLO: “ BRINCO DE PRINCESA” Sua indicação como flor-símbolo, foi devido ao seu aspecto de grande beleza, facilidade de cultivo e potencial paisagístico.

*ANIMAL SIMBOLO: “O CAVALO CRIOULO”

Rústico, resistente e versátil. Sempre fiel, foi o guerreiro dos índios.   Hoje, mesmo com o avanço tecnológico, o cavalo ainda não pode ser substituído por máquinas nas lidas de campo. Talvez, porque no pensamento mais profundo, o homem não queira perder este,  muitas vezes, membro da família, outras tantas, amigo - como se pode sintetizar esta relação de afeto entre o gaúcho e seu cavalo.

*  PLANTA MEDICINAL – “A Marcela ou Macela”

*A BEBIDA –  “o  Chimarrão”
O mate também simbolizou, ao longo dos séculos, a hospitalidade do gaúcho, que é uma das marcas tradicionais do nosso povo.

* O PRATO TÍPICO- “Churrasco”
Surgiu no Rio Grande do Sul no século 17. Era feito em um buraco no chão e a carne temperada com cinza. Com o tempo novas técnicas foram aperfeiçoando o preparo do churrasco. Hoje em qualquer lugar do Brasil encontram-se gaúchos servindo o prato típico.

*O INSTRUMENTO MUSICAL- “a Gaita”
O deputado Gilmar Sossella protocolou perante a Assembléia Legislativa um projeto com a pretensão de resgatar a história de um instrumento que faz parte da história musical do Estado e que está presente na maioria das composições regionalistas.
Os primeiros registros da sua presença no Brasil remontam à guerra do Paraguai, mas ela só se tornou verdadeiramente popular no país no final do século XIX, com as levas de imigrantes italianos, que traziam consigo os seus acordeões.

* A ESCULTURA SÍMBOLO- “O Laçador”
Estátua do Laçador é patrimônio histórico e cultural do RS, Lei estadual nº 12.992. Localizado na entrada da capital, Porto Alegre. Esse monumento é a representação do homem rio-grandense, que com sua pilcha (traje típico gaúcho) e suas boleadeiras, transparece a cultura de seu povo. Criada pelo artista Antônio Caringi, a estátua foi originalmente feita em gesso e posteriormente reproduzida em bronze. O tradicionalista Paixão Cortês foi a inspiração para a criação do monumento, que mede 4,45 metros de altura e pesa 3,8 toneladas.
No carro alegórico, os gaúchos apresentam um pouco dos seus “Usos e Costumes” sob o título de  “COISAS NOSSAS”...
Fogo de chão, chaleira preta, “roda de chimarrão”, o churrasco, pelegos, tertúlia dos gaúchos tocando violão, gaita e cantando, a chula e o fandango.

JOGO DE TRUCO  ( NO CHÃO) ( APRESENTADO PELA INVERNADA DO CTG C. FARROUPILHA)
O Jogo de Truco tem como finalidade, um lazer sadio, criar novas amizades, oportunizar a confraternização entre peões e prendas.

PRENDAS E PEÕES COM INDUMENTÁRIAS DE ÉPOCA
( estancieiros- chiripá-  bombacha...)

SÃO COISAS DE GAÚCHO:
O apego à Querência, à Pátria, aos valores  e educação...
A Preservação da Cultura...
O apego ao fogo de chão, ao mate, à tertúlia, ao churrasco...
A sua indumentária típica do homem do campo, bombacha, bota e espora
Lenço no pescoço, faca na cintura e o laço na mão...
 
SÃO COISAS NOSSAS:

O apego à família...
Às nossas prendas bonitas
Sempre mulheres  guerreiras
Que lutam e são faceiras
Ao lado do seu peão...
Apego aos fandangos e cantorias...
Apego a festas religiosas como  O Terno de Reis
Apego a muita alegria com uma Carreira de Bois.
Apego ao simples jogo do ” Osso”, Sete em Portas e ao Truco !
Que outro grita Retruco! Prosseguindo a diversão...
E assim é o povo gaúcho...
Que se apega também ao novo, mas não descuida a Tradição!
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