domingo, 28 de junho de 2015

Vida Política de Antônio Camargo Sózio


      Membro do Partido Comunista desde 1950, no distrito de  Horizontina, município de Santa Rosa, estado do Rio Grande do Sul, Brasil, na época, participou da Legalidade com Brizola no Rio Grande do Sul.
     Lutou pelo movimento dos sem terra. Foi defensor da  democracia e lutou contra a ditadura militar, pelo socialismo.
     Em 1964 foi perseguido pela ditadura militar sendo obrigado ir para o exílio, em busca de refúgio. Para escapar do cárcere percorreu enormes distâncias na fronteira entre dois países, se obrigou vender todas as propriedades (terras) para manter-se no país vizinho, da Argentina.


A história de um notável do PCB, de  Horizontina, estado do Rio Grande do Sul, Brasil


- Por Teobalbo Branco
Documentário sobre a vida política de Antônio Camargo Sózio publicado originalmente no dia 30 de agosto de 2013, no Portal Ijuí.Com. Disponível em: http://www.ijui.com/artigos/52126-vida-politica-de-antonio-camargo-sozio-por-teobalbo-branco.html


Antônio Camargo Sózio (1909 – 1988) nasceu em Cachoeira do Sul, filho de Luiz Domenico Sózio e Marcelina Camargo.
Seu pai era imigrante italiano que veio ao Brasil com 17 anos de idade, cuja residência inicial foi em Cachoeira do Sul, estado do Rio Grande do Sul, dedicando-se a vida de caixeiro viajante.
O Senhor Domenico diante de seu trabalho passou a residir na vila (distrito) de Cruz Alta, então pertencente à sede municipal de Rio Pardo/RS.
Casou-se com Marcelina Camargo e teve nove filhos, sendo Inácio filho de criação e filhos de sangue: Rosina, Antônio, Adão, Augusta, Francisco, Olga, Alcebides e Mário.
A vida de Antônio, o segundo filho de sangue, iniciou interno num seminário em Cruz Alta/RS durante quatro anos, completando a 5ª série até aos 13 anos.
Os Padres pediram para permanecer no seminário para dar continuidade nos estudos, mas seu pai mesmo que italiano religioso, cujo ideal de família não aceitou.
Cruz Alta é região de campo aberto, Antônio Sózio mudou-se para a serra, região do Alto Uruguai, onde havia colonização de imigrantes para trabalhar na agricultura para seu sustento e ajudar a família.
Foto de 1978, Dona Lucila e Antônio Sózio
 Casou-se com idade de 26 anos, com Lucila Pereira da Rosa, em 1935, no distrito de Tucunduva, município de Santa Rosa/rs,  e  lá começou a vida; logo mudou-se no interior de Horizontina ao adquirir 25 hectares de terra para atividade agrícola na localidade de Lajeado Esquecido.
Nessa propriedade construiu sua família, uma nova vida, com os filhos: Leonor, Valdemar, Nair, Luiza, Zelinda e Valdir; sempre tentando buscar a prosperidade no caminho do modelo e costumes culturais da sociedade, pelos princípios da boa vivência.
Antônio Sózio foi obrigado a refugiar-se no país vizinho, da Argentina, pela ditadura militar, por ser comunista.

Como ocorreu sua adesão ao Marxismo

 Antônio Sózio  já era comunista pelo modo de viver. Ele pensava como verdade, que tudo devia ser comum a todos com igualdade, sem distinção.
 Certa vez foi a um comerciante na Esquina Tiradentes, localidade  vizinha,  no então distrito de Horizontina, onde se encontrou com pessoas que dialogavam trocando ideias.
O assunto girava em torno de revoluções, tendo um socialista presente que lembrava Luiz Carlos Prestes pelo desapego dos interesses pessoais e pela busca obstinada dos seus sonhos, que eram por mudanças sociais em favor da dignidade dos humildes e excluídos.
Outro participante que  estava presente, era Miguel Arzevenko, um russo que falava sobre posições partidárias  e sobre o destino do futuro  político no mundo.
Ele explicava que as organizações das nações estavam em dois blocos, o capitalismo e o socialismo e  afirmava que no Brasil: “Somente um pacote socialista na constituição seria a solução dos problemas, sem faltar de educação e igualdade social”
O primeiro documento que Antônio Sózio leu na década de 30, foi sobre o Manifesto de Luiz Carlos Prestes, editado pelo Diário da Noite, São Paulo, em  maio de 1930, onde ele denunciava a exploração colonialista dos feudais e convocava os trabalhadores  pela entrega da terra aos que trabalham e  pela libertação do jugo do imperialismo.
Na sequência  passou ler o jornal, Classe Operária e, a partir disso continuou os contatos políticos até começar a promover reuniões com mais pessoas para discutirem assuntos políticos partidários. Passou a ler livros de Carlos Marx e Lenin até assumir a ideologia marxista e liderar a doutrina das ideias socialista, logo  inscrevendo-se no partido do PCB.
Adquiriu conhecimentos pelas leituras e sentiu a necessidade de  participar de congressos e encontros para instruir-se mais sobre o mundo político dos partidos e suas ideologias.
Participou do 1º Congresso de Agricultores em Minas Gerais. Também realizou cursos de política em Porto Alegre.
Antônio Camargo Sózio encontrou-se com lideres maiores entre eles João Amazonas, Luiz Carlos Prestes, conheceu Mauricio Grabóis num encontro na  Bahia.
Também tinha contato com Francisco Julião, que lutava contra o latifúndio em favor dos sem terra.
Dialogava com Paulo Schilling sobre movimento dos sem terra,  assessor do governador Leonel Brizola na época.
Conheceu outros líderes como Carlos Marighela, Avelino Capitani, Carlos Lamarca, e conseguiu trazer  João Amazonas numa reunião na  residência de Pedro Sapieginski na localidade de Escola Branca, então município de Horizontina.

Antônio Sózio era um marxista espírita e não cansava de dizer repetidamente: “nunca é tarde para começar; nossa vida não começa no berço e não termina no túmulo. A vida pode ser pobre materialmente, mas a riqueza está na vida espiritual, pela prática do bem”

 Antônio Sózio exercia atividades sociais como socialista nato

 Escola: Em 1945 Antônio Sózio liderou a construção da escola Municipal na localidade que passou a denominar-se de Escola Branca, porque a escola foi  pintada de cor branca. Ele foi o presidente da Comissão e depois de concluída, no 8º distrito de Horizontina, junto com autoridades de educação do município de Santa Rosa, a escola recebeu o nome de Escola Municipal Coronel Camisão.
A matrícula geral da escola continha 100 alunos matriculados de 1ª a 5ª série, onde seus filhos estudaram. 
(Em 2013, o escritor Teobaldo Branco escreveu uma crônica chamada: "Retorno à Escola Branca, disponível em: http://www.ijui.com/blog-do-teobaldo-branco/47235-o-retorno-a-escola-branca.html).
 
Futebol: Antônio Sózio estava sempre presente colaborando nos esportes, na modalidade de futebol, no Esporte Clube  15 de Novembro de Lajeado Esquecido, com sede na propriedade da família Viletti. Ele atuava com sua presença na organização, opinando no corpo coletivo da sociedade esportiva, era um colaborador.

 Cooperativa: Em 1956, o agricultor Antônio Camargo Sózio liderou os agricultores das comunidades vizinhas da localidade de Escola Branca e fundaram a Cooperativa Mista Agrícola Cruzeiro do Sul Ltda.
A Cooperativa contava com a loja de mercadorias gerais, armazém de depósito de produtos de cereais dos associados, casa residencial do gerente e espaço administrativo. A maioria dos agricultores da redondeza eram associados.
O primeiro gerente foi Antônio Sózio; o regulamento estatutário depois de dois mandatos obrigatoriamente devia trocar, onde entrou Pedro Sapieginski.
Em 1964, a cooperativa faliu porque as lideranças eram de esquerda com o golpe militar, todas as pessoas foram obrigadas a se afastar para evitar perseguições, por isso foi extinta.
O senhor Antônio Sózio, se obrigou emigrar refugiando-se em outro país, na Argentina e encerrando atividades sociais comunitárias. 

Episódios inesquecíveis sobre a 2ª guerra mundial

 Em 1944, certo dia do mês de maio daquele ano, Antônio Sózio foi  ao comércio na casa de Antônio Manhabosco, no interior rural da localidade de Esquina Tunas, onde estavam vários presentes ao local da venda de mercadorias e compra de produtos agrícolas.
Ali na referida loja as pessoas conversavam sobre a vida do cotidiano, coisas de trabalho e alguns contos de humor e informações sobre conhecimentos do mundo agrícola, também sobre  o mundo das notícias que estava no ar sobre a 2ª guerra mundial.
O senhor Antônio Sózio não era muito conhecido, mas já havia notícias que ele era comunista, sem participar do diálogo foi inquirido agressivamente com uma pergunta irônica de um descendente alemão, que disse:  Está preparado para puxar carroça depois que Alemanha ganhar a guerra?
Antônio Sózio ficou pasmou e replicou: como assim, puxar carroça?   O seu interlocutor reafirmou: Espera para ver quem vai mandar e quem vai obedecer. Comunista vai ser escravo.
Na tréplica, o senhor Antônio, disse: enquanto dois cavalos estão correndo ninguém sabe o ganhador, porque um pode tropeçar.
Após alguns sorrisos de outros presentes, Antônio Sózio, um tanto assustado com a humilhação de modo radical, logo procurou retirar-se com suas mercadorias compradas indo para sua residência.
Foi um momento de cair à ficha; sentiu a veracidade da afirmação. Sofrendo o preconceito do significado de ser comunista percebeu o grande perigo se o nazismo dominasse o mundo político.
Na época os agricultores se abasteciam das necessidades familiares assim como para a comercialização de seus produtos nos comerciantes no meio rural próximo; lugar de encontro onde eram comentados os assuntos político e sobre os acontecimentos da guerra.
Havia panfletos de ambos os lados que comprometiam a boa vivência entre os cidadãos pela opção de um mundo dividido em dois blocos.
Antônio Sózio recebia material do PCB e viabilizava a distribuição dos panfletos antinazista em pontos estratégicos, discretamente na localidade e nas vizinhas.
 
Reunião sobre os acontecimentos da guerra

Uma reunião se organizou sob a liderança de Antônio Camargo Sózio, presentes:  Walter Simm, médico dono de Hospital na cidade de Horizontina, Miguel Arzevenko e Basílio Klovis; descendentes russo, agricultor da localidade de lajeado pratos;  Pedro Sapieginski, descendente lituânio, agricultor da localidade de Escola Branca; Máximo Milnitchuk, descendente russo, agricultor de Lajeado Esquecido.
Também participavam de reuniões o advogado Darci Hon Holtz   de Santo Ângelo; Noli Hioner, advogado de Santa Rosa;  Flori de Aguiar, metalúrgico e sindicalista de Santa Rosa, oriundo de Porto alegre e mais familiares simpatizantes.
Agenda da reunião era para analisar os acontecimentos mundiais, principalmente sobre a 2ª guerra mundial, visto os rumores que surgiam frequentemente e o rumo que os comunistas deviam seguir pelas ameaças.
O Eixo era Alemanha, Itália e Japão e tinham objetivos expansionistas,  desenvolvendo a industrialização, principalmente na área bélica, como aviões, navios e tanques de guerra.
De outro lado, os Aliados sendo a Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos. Também potências.
O assunto da 2ª guerra mundial estava na onda das notícias em todas as partes sendo uma expectativa do futuro da humanidade.
A guerra antes de acontecer já estava gerando tensões porque todos sabiam que o conflito era entre duas potencias militar, com consequências sobre a vida das famílias, de pessoas, pois a política exigia uma posição de ser contra ou a favor, voltado ao uma ideologia da política partidária.
Os países independentes começavam a se posicionar.
O Brasil em janeiro de 1942, após um processo para unir todas as forças vivas da Nação no combate ao nazi-fascismo e organizar as forças armadas brasileiras, o presidente Getúlio Vargas rompeu com os países do Eixo e apoiou os Aliados.

Antônio Sózio participou do Movimento da Legalidade em 1961

 Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renuncia ao cargo, enquanto João Goulart, vice-presidente, estava na China. O Brasil viveu momentos de instabilidade desde 1954.
Os militares, sob influência dos Estados Unidos, que temiam ver no Brasil na linha esquerdista, como em Cuba,  impediram o João Goulart de assumir o cargo de vice, ameaçando derrubar o avião em que ele voltava para o Brasil.
Brizola entoava a legalidade constitucional. Legítimo representante do Movimento da Legalidade, pela posse de João Goulart.
As paixões do passado distante, na época, o senhor Antônio Camargo Sózio era protagonista local, porque defendia valores de liberdade e patriotismo, ele formou comitiva e foi até capital para solidarizar-se com o movimento e ajudar no manifesto em favor dos ideais da liberdade política, pela democracia, que teve mérito na época.
Era autocrítico o sr. Antônio Sózio em seu discurso, dizia: “tenho fé que a igualdade das classes sociais acontecem  só com uma revolução, feita de baixo para cima,  que não exclua ninguém, para acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil”. 

 O refúgio foi uma necessidade pela segurança diante da ditadura militar

O golpe militar de 1964 implantou a condição brasileira à submissão da política americana, cedendo ao imperialismo o controle econômico;  mantendo política interna sob a censura dos meios de comunicação, cortando a expressão cultural do povo, pela imposição ideológica alienante sob o autoritarismo.
Os partidos políticos, os sindicatos, entidades estudantis, camponeses, operários e todo cidadão que discordasse da política do governo militar eram reprimidos com violência de seu papel social, mesmo que fosse de interesse do povo.     
Os comunistas eram vistos pelo militares como terroristas, ateus, homens malditos.
O Senhor Antônio Sózio assistia notícias pelo rádio onde os movimentos ocultos e conspirações estavam no ar, desde o início da década de 60.
Em 1964 havia uma temperatura efervescente nos meios políticos com participação direta dos militares.
No final de março ele sentia que os militares decidiram tomar o poder definitivamente. Quando ocorreu o golpe ele aguardava em casa, em atenção aos acontecimentos pensando o que poderia acontecer imaginando um processo repressivo.
No dia 1º de abril, mais ou menos, às 15 horas da tarde chegou a sua residência um automóvel com três homens, companheiros, não conhecidos e desembarcaram do carro; um chamou o Senhor Antônio em particular e disse: “saia em fuga urgente para evitar sua morte, porque no caso de tortura para evitar a denúncia de companheiros  e ambos naquele momento advertiram “salve-se”, e se retiraram apressadamente. 
O senhor Antônio conferenciou com familiares,  arrumou sua mala com roupas e documentos e saiu em fuga ao anoitecer acompanhado de José Flores da Rosa (cunhado).
Antônio e José saíram em caminhada a pé desviando postos policiais e vilas, atravessando lavouras, beirando matas até chegar ao amanhecer no Rio Uruguai, mais ou menos, 40 quilômetros de distância, fronteira divisória de território Brasil/Argentina.
Não havia transporte para travessia do grande rio, mas finalmente dois meninos com um pequeno barquinho deram passagem, mesmo que perigosa.
Eles continuaram o caminho no interior da Província de Missiones, localidade de Capim Largo até a residência de um parente José Pereira da Rosa (sogro de Antônio).
Prosseguiram adiante por sentir  perigo de busca e apreensão,  saindo  das proximidades de fronteira, chegaram até Km 10, uma localidade de Missiones,  na casa de Amantino Martins (sobrinho) permaneceram algum tempo para tentar contato com familiares no Brasil por meio de agentes secretos.
Depois de passar 20 dias foi enviado um mensageiro até ao Brasil para levar e receber notícias de familiares.

Visitas de policiais era sempre à noite

O senhor Antônio Sózio saiu em fuga ao anoitecer do dia 1º de abril, e poucas horas depois de sua saída,  antes da meia noite dois camburões descarregou um exercito de policiais diante de sua residência, que entraram dentro de casa sem licença e foram vasculhando quartos móveis e cantos da casa aos trambolhões e desrespeito, perguntando para uma e outra pessoa da casa:  “onde estão as armas” .
Ao entrevistarem a Senhora Lucila, esposa de Antônio de modo estúpido e grosseiro sobre, armas, guerrilha e companheiros, ela sofreu uma paralisação motora caindo diante do militar que interrogava.
Ao redor da casa e galpões também foram revistados deixando sinais de estripulia no local. Era uma invasão da privacidade da família com tratamento despótico, violento e humilhante. A residência foi  remexida revirada de forma prepotente usando o abuso do poder da autoridade com armas militares, ameaçando de modo ingrato e tirano, com verdadeiro desrespeito para com a família, esposa e filhos ali presentes.
Os próprios militares divulgavam  boatos que Antônio Camargo Sózio estava chefiando grupo de milícia de companheiros contra o governo. Eles perguntavam: - onde está o subversivo? Está escondido. Com insistência queriam saber informações sobre o grupo guerrilheiro, nomes e locais.
Postura arbitrária pela prática autoritária dos maus tratos injustos e cruéis pela humilhação dos cidadãos trabalhadores de bem, que se encontravam quietos em seu lar.
As visitas se sucederam seguidamente com militares diferentes, mas usando a mesma prepotência procedendo a uma   invasão domiciliar desvairada e criminosa, entravam e saíam como se fossem demolir o soalho com as botinas pesadas, além de arrancar e quebrar móveis e utensílios procurando o que não existia.
Depois a família sofria a indiferença social, como se tivesse sido contaminado por uma doença contagiosa. As pessoas afastavam-se, evitavam o relacionamento com a família, com olhares diferentes, dando a impressão de que eram cúmplices de alguma coisa.
Todos sabiam que Antônio Sózio e sua família sempre foram humildes e participantes na vida comunitária, mas a repressão fazia as pessoas temerem. Poucos prestavam apoio e solidariedade.
Na época havia uma inteligência iluminada, não se sabe como e quem, mas antes de cada visita dos militares, a família era avisada. Duas famílias se agrupavam (genro) concentrando na casa do Senhor Antônio, para se ajudarem durante as invasões dos militares.

O mensageiro

O mensageiro da Argentina no Brasil se informou sobre os acontecimentos e soube que policiais da Brigada Militar estiveram no porto do Rio Uruguai na fronteira com a Argentina solicitando informações sobre Antônio Camargo Sózio;  justamente onde ele passou de canoa, o grande rio Uruguai, no amanhecer do dia 02 de abril de 1964. Ouviu a seguinte frase, dito por um militar: “o sujeito é subversivo, mas muito esperto”. 
Na Província de Missiones, o senhor Antônio Sózio procurou amizade com a vizinhança e com autoridades da Gendarmaria, como trabalhador de bem, que sempre foi  e foi  visto assim.
Antônio preocupado com a família sabendo da tortura repressiva, punição desumana que estava acontecendo, políticos que eram contra a ditadura não tinha alternativa, era ir para o exílio ou fuga para ter vida,  mesmo que na clandestinidade, acertou um negócio de troca de propriedades para a família ir para Missiones.
Entregou uma propriedade legalizada por um direito para acomodar sua família, com enorme prejuízo financeiro; o deslocamento da família  também ocorreu discretamente em fuga,  no mês de agosto de 1964.
Na Argentina, o senhor Antônio pode recomeçar a vida, sempre alerto,  produzindo alimentos e produtos comerciais da região pela sobrevivência, em pouco tempo reconstruiu seu "habitat" para viver com dignidade.
O senhor Antônio sempre atento e estabelecendo boa amizade com a comunidade e autoridades de Missiones evitou sua prisão, porque foi avisado do pedido de busca brasileira, mas não se consumou.

 Socialista nato pela educação

Na localidade do Km 10, na Argentina, o senhor Antônio liderou os habitantes e assumiu como presidente da Comissão junto às pessoas interessadas para criação de uma escola.
Com líderes comunitários foram até as autoridades educacionais, onde conseguiram a construção do prédio escolar e professores para uma clientela de mais de 100 alunos.


  Placa de reconhecimento na Argentina durante seu tempo no refúgio

A escola recebeu o nome de "Flor da Serra"; hoje é a denominação da vila. Do mesmo modo, o time de futebol também se denomina de "Flor da Serra".
O Senhor Antônio foi o presidente da Comissão pela criação da escola,  depois de construída e criada a Associação Escolar foi o tesoureiro conforme placa de honra, documento fornecido pelo poder público de Soberbo, Missiones, Argentina.

 Anistia 

 Lei da anistia foi promulgada pelo presidente Figueiredo em de 28 de agosto de 1979, durante a ditadura militar, que concedeu em resumo:  Foi  concedida anistia a todos de /61 a 79, que cometeram crimes políticos e perderam seus direitos políticos.
Em 1979, o senhor Antônio ao saber da anistia aos políticos brasileiros apertou mais seu coração, que não cansava de dizer: “Eu não quero morrer antes de pisar em terras do meu Brasil”.

Morando em Ijuí com seus familiares...
Com um neto (Hélio Sózio Witcel) na cidade de Ijuí/RS, vendeu e doou o que tinha adquirido na Argentina e voltou ao Brasil vindo residir na cidade de Ijuí.


Na cidade de Ijuí com todos familiares próximos teve um herdeiro da política, seu neto Cesário Sózio Vitcel, que ainda moço concorreu para Câmara de Vereadores, foi assessor do deputado estadual do PT, Elvino José Bohn Gass, seguidor dos ideais do avô, com um futuro promissor brilhante.Porém, em dezembro de 2011, sofreu um acidente, deixando a vida, partindo para a eternidade.  
 Em 1988, Antônio Camargo Sózio, um militante do PC do B encerrou o seu  tempo de vida e passou para os registros como imortal na história do seu tempo.

Referências bibliográficas

 - VITCEL, Leonor Pereira Sózio, (1937)  filha de Antônio Camargo Sózio e de Lucila Pereira da Rosa, casada com João Zama Vitcel, (1933 – 2003) ele brasileiro, descendente de alemão e italiano. Seus filhos são: Marlene, Hélio, Sérgio, Cesário e Marlise. Residente na cidade de Ijuí. Desde jovem Leonor atuava politicamente nos meios sociais ao lado do pai.

Observações: Leonor foi a confidente fornecendo as informações e dados sobre a vida política de seu pai, Antônio Camargo Sózio.

- Teobaldo Branco foi o  pesquisador e produtor deste artigo/documentário.

 Comentários pós publicação do artigo no Portal Ijuí.Com:

    De Leonor Pereira Sózio Vitcel - Ijuí, enviado no dia 17 de setembro de 2013:
"Eu, Leonor Pereira Sózio Vitcel, nascida em 09 de janeiro de 1937, filha de Antônio Camargo Sózio, nascido em 20 de fevereiro de 1909 e falecido em 26 de outubro de 1988, venho por meio deste, em primeiro lugar, dizer que não existe palavra que possa agradecer tão lindo documentário feito por um grande amigo e admirável escritor Teobaldo Branco, com as mais verdadeiras palavras ou frases que se pode contar a história de vida de uma pessoa que sempre lutou em favor da igualdade e bem estar da humanidade.
Leonor se manifestando num congresso de agricultores em Porto Alegre.
 Em segundo lugar, dizer que o senhor Antônio Camargo Sózio foi meu pai, meu líder, meu herói e sempre minha estrela guia, pois desde meus 3 anos de idade eu lembro que ele já me ensinava o verdadeiro valor da vida material e espiritual, de onde viemos e para onde vamos e como temos que proceder.
Sempre me ensinou a verdadeira lei do amor, da caridade e do perdão, mas também me ensinou a lutar por tudo o que é justo.
Eu sempre fui muito apegada com meus pais, só fiquei distante do meu pai no dia 1º de abril de 1964 até dezembro do mesmo ano, onde nos reencontramos num país vizinho, e 15 anos depois, retornamos juntos para a nossa pátria querida que nos viu nascer.
Nunca podemos esquecer que para saber o nosso futuro temos que ler o nosso passado.
Quero agradecer com mais de mil palavras a Teobaldo Branco".
    Leonor Pereira Sózio Vitcel - Ijuí

    Comentário de Lucineide Trampusch. de Ijuí, enviado no dia 02 de setembro de 2013:
"Foi um homem lutador querendo ver um Brasil um país melhor, com igualdade e humanitário, favorecendo a classe pobre em condições melhores como educação, saúde, um salário digno, moradia digna.
Lutou, não se acovardou.
Mas, enfim, teve que deixar o Brasil por causa de seus filhos e sua esposa.
E deixou como exemplo que devemos lutar, ir à frente, para termos um Brasil melhor, sem corrupção.
Então, Vô Antoninho e vó Lucila, TEMOS QUE LUTAR E IR À FRENTE, perder jamais a esperança.
Seu neto Jaime Sózio Trampusch e as filhas que são suas bisnetas ficam muito gratos e por ter um bisavô e bisavó que foram grandes guerreiros na história brasileira.
    É verdade, primo Ivonei, as idéias nunca morrem".

    Ivonei Sózio  de Chapecó, SC, enviado no dia 29 de agosto de 2013:

"Homens podem ser passageiros, porém ideais nunca morrem".
Uma grande história real!
Parabéns ao escritor Teobaldo Branco por recuperar essa história, por não deixar ela se perder com o tempo, por reviver um sentimento que nunca deve morrer na alma das pessoas, por mostrar quais são os verdadeiros objetivos a serem perseguidos.
Um grande exemplo para todos os jovens e descendentes, uma pena eu não poder ter vivido na época de meu avô.
Porém, tive o prazer de viver 21 anos na presença de sua mulher, Lúcila, minha avó. Essa história de vida e luta é uma prova de que a luta nunca pode parar, de que o sonho deve ser perseguido incessantemente.
Quem dera os jovens cultuassem mais pessoas assim, quem dera se espelhassem e quisessem ser parecidos com bons e verdadeiros exemplos, ao invés das tão vazias e sem conteúdo subcelebridades instantâneas produzidas pela mídia.
Ler histórias como essas do passados nos mostra que estamos no caminho certo no presente, para criar um futuro melhor.
E que homens podem ser passageiros, porém ideais nunca morrem".
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