sábado, 11 de julho de 2015

Inédito: A "Quinta-Coluna" no Rio Grande do Sul. Prisões de espiões nazistas na cidade de Iraí. Tentativa de envolvimento no caso do Dr. Martin Fischer, historiador e fundador do Museu de Ijuí - década de 1940... Parte I


Dr. Martin Fischer

 O jornalista e historiador Martin Robert Richard Fischer, nascido em Konigsberg, capital da Prússia Oriental, no dia 10 de fevereiro de 1887, viveu os primeiros anos de sua vida na Alemanha onde experimentou as crueldades da 1a. Guerra Mundial.      Como capitão, lutou no “front” russo em 1914-1918, ferindo-se quase que mortalmente, sob as ordens diretas do kaiser Guilherme II. Foi condecorado com a Cruz de Ferro (Eisernes Kreuz) por serviços prestados ao governo da Alemanha.

Segundo pesquisas e artigo da historiadora Márcia Krug, publicado no Blog "IJUÍ - MEMÓRIA VIRTUAL" (disponível em: http://ijuisuahistoriaesuagente.blogspot.com.br/2012/08/serie-dr-martin-fischer-03-sobrevivente.html): "Martin Fischer chegou pela primeira vez ao Brasil em 28 de fevereiro de 1921, para trabalhar como redator-chefe do jornal alemão “Deustsche Post,” de São Leopoldo, pertencente à firma de Wilhelm Rotermund, criador do Sínodo                Rio Grandense, que congregou a maioria dos luteranos gaúchos e tinha estreita relação com a Igreja Evangélica Alemã.
 Com as divergências entre os luteranos e católicos travadas através de artigos dos jornais, mais as questões políticas da época, o “Deustsche Post” sofreu vários atentados. Mas o de 28 de janeiro de 1928, foi o mais grave, aonde se deu o empastelamento do jornal.   Após este triste episódio, Dr. Martin Fischer volta para a Alemanha e segue  trabalhando  como gerente na Agência Oficiossa do Governo em Berlim (WTB) e DNB ao qual dominavam  as comunicações na Alemanha".

Em 1933, Martin Fischer deixa definitivamente a Alemanha. Depois de uma breve permanência no Brasil, foi morar em Buenos Aires, Argentina, assumindo a direção do escritório da Agência de Notícias Alemã (D.N.B), cargo que abandonou em 1937, por divergir do nazismo e seus líderes.

Márcia continua em seu artigo: "... Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, houve a pressão para que Dr. Martin Fischer, então na Argentina, fizesse o juramento ao nazismo. Ato impraticável por este homem, que acreditava em valores e ideais de liberdade e conhecimento que já tinham sublimado em sua alma. Como poderia ele trair suas crenças?

Restava então, redigir a sua carta de demissão e vir embora para o Brasil. Podemos encontrar a cópia desta carta, como também a resposta dela feita pelo partido nazista, nas páginas do livro do Tenente Coronel Aurélio da Silva Py, então chefe da polícia do Rio Grande do Sul com o título de “A quinta coluna - A conspiração Nazista no Rio Grande do Sul”. Nesta publicação Py torna público todas as declarações feitas pelo Dr. Martin Fischer sobre o nazismo e a atuação da Gestapo na Argentina, selando assim a sua impossibilidade de retorno para a Alemanha.
       Segundo a Wikipédia a "Quinta-coluna" é uma expressão usada para se referir a grupos clandestinos que atuam, dentro de um país ou região prestes a entrar em guerra (ou já em guerra) com outro, ajudando o inimigo, espionando e fazendo propaganda subversiva, ou, no caso de uma guerra civil, atuando em prol da facção rival. Por extensão, o termo é usado para designar todo aquele que atua dentro de um grupo, praticando ação subversiva ou traiçoeira, em favor de um grupo rival.O quinta-colunismo não se dá no plano puramente militar mas também por meio da sabotagem ou da difusão de boatos, "atacando de dentro" ou procurando desmobilizar uma eventual reação à agressão externa. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta-coluna).

Diante de todo este contexto, Martin Fischer largou tudo e foi morar as margens do Rio Uruguai, na cidade de Iraí, no noroeste do Estado. Tentar a vida como agricultor, em uma pequena propriedade, plantando cana de açúcar. [...].
 Mesmo morando em Iraí a vida lhe trouxe muitas surpresas, algumas boas, como a inspiração para escrever o livro “Iraí, cidade saúde”.
Delegado Plínio Brasil Milano
 E outras que deixariam marcas profundas para o resto de sua existência, como [...] sua prisão pelo delegado de Iraí, que foi feita baseada em acusações fornecida por um antigo sócio (numa fábrica de aguardente) chamado Sr. Antonio Pauly. A acusação era de que ele pertencia a “Quinta coluna”,  e era um “espião nazista”. Entretanto, tal denúncia não foi longe. Ele imediatamente teve sua prisão anulada e sua liberdade concedida depois que o Delegado de Iraí recebeu um simples telefonema de Plínio Brasil Milano, então chefe da Delegacia de Ordem Política e Social do Rio Grande do Sul (DOPS/RS), treinado pelo FBI e que desmantelou a rede de espionagem no Rio Grande do Sul no inicio dos anos quarenta...".
Tempos depois, depois de encerrado todo esse processo no qual foi envolvido, ele juntamente com sua esposa Carlota, deixam de morar em Iraí para se mudar de vez para a cidade de Ijuí, onde assumiu a função de redator do jornal Correio Serrano e "Die Serra-Post", bem como também passou a colaborar com o programa "Hora Alemã" que era transmitido por muitos anos na Rádio Repórter de Ijuí. Nesse período conhece Mário Osório Marques, o ainda Frei Matias, que o convidou para organizar um Museu ligado a FAFI, que mais tarde irá se transformar no atual Museu Antropológico Diretor Pestana - MADP de Ijuí, hoje com mais de 50 anos difundindo e preservando a história de Ijuí e região.


PRISÃO DE ESPIÕES NAZISTAS NA CIDADE DE IRAÍ - TENTATIVA DE ENVOLVIMENTO DO DR. FISCHER NO ESQUEMA...

Baseado nestas informações iniciais citadas no artigo da Márcia Krug, e instigado pela curiosidade, nos lançamos na busca de maiores informações sobre a tal "Quinta Coluna", e também de conseguir o livro original escrito pelo Tenente-Coronel Aurélio da Silva Py, então Chefe da Polícia do Rio Grande do Sul, chamado "Quinta Coluna - A Conspiração do Nazi no Rio Grande do Sul". 
 Livro este considerado pelos livreiros como obra rara, esgotado, e muito valorizado pelos que o possuem. Difícil também ter acesso a ele. Mas, tendo boa vontade, perseverança de um historiador e pesquisador tivemos acesso a ele por vários dias. Lemos grande parte do que o Chefe de Polícia investigou, pesquisou e relatou de suas ações e investigações basicamente no estado do Rio Grande do Sul, com algumas investidas também no estado de Santa Catarina. O livro foi editado e publicado pela Editora Globo de Porto Alegre, em 1942,  (segunda edição que tivemos acesso). Por seu valor histórico, obra esgotada, publicamos aqui algumas de suas páginas que a consideramos mais importante, tendo foco o relato e o envolvimento de forma injusta de Martin Fischer, o qual é citado várias vezes no livro, por ter sido também arrolado no processo de identificação e captura dos espiões nazistas.


 Também há no livro várias vezes citações do ex-Intendente de Ijuí, médico Ulrich Kulmann, na época também representante consular do Governo Alemão para o Estado do Rio Grande do Sul.  No livro há um capítulo onde é relatado vários detalhes sobre  a "Prisão e Expulsão de espiões nazistas..." em Iraí, pequena cidade hidromineral no interior do estado de Santa Catarina (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ira%C3%AD_%28Rio_Grande_do_Sul%290). 



  "Prisão e expulsão de espiões nazista - Um caso com sabor de aventura"

Na introdução do capítulo, de forma bastante irônica, o autor do livro, Tenente-Coronel Aurélio da Silva Py, destaca que naquela pequena localidade do interior do RS, em Iraí, se concentravam/moravam grandes personalidades estrangeiras, em especial de nacionalidade alemã... e entre elas o dr. Martin Fischer... (página 284).
As investigações e prisão dos espiões em Iraí foram feitas pelo Delegado Departamento de Ordem Política e Social (DOPSs) do Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre, dr. Plínio Brasil Milano.


Cidade de Iraí, RS, nos anos de 1940.

Na página 285, num dos relatos de um dos espiões até o o nome do dr. Ulrich kulmann (que por muitos anos morou, trabalhou como médico, e foi Intendente de Ijuí é mencionado). Na época ele também era Agente Consular do Governo Alemão e naturalmente por exercer esse cargo tinha contato e relacionamento com a maioria dos alemães que circulavam na região de Ijuí ou até mesmo do Estado.


Na página 286, um dos dois espiões nazistas presos, de nome Bernardo Guilherme Maahs, relatou que conhecia o dr. Martin Fischer.



O outro espião preso, chamado Wolfang Neise também relatou na página 287 que conhecia e tinha contato com o dr. Martin Fischer e com o Médico e Consul Ulrich Kulmann, entre outros alemães que também moravam na cidade.





Imagem do Hotel Descanso em janeiro de 1944.


















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